Exu é sinônimo de ensino-aprendizagem: uma análise antropo-educacional

Marcos Borges dos Santos Junior, Marco Aurélio da Conceição Correa

Resumo


O presente trabalho tem como finalidade a partir de reflexões filosóficas, antropológicas e educacionais projetar Exu como sinônimo de ensino-aprendizagem. Contribuindo no diálogo entre antropologia e educação para complementar nos estudos teóricos das relações étnico-raciais com destino as escolas por todo Brasil. Trata-se de uma pesquisa antropoeducacional instigada pela curiosidade acerca da atuação de Exu na sociedade brasileira; e principalmente como podemos extrair saberes desta figura emblemática para trazermos nas escolas a fim de promover o combate ao racismo. “Quem é Exu?”, “Qual imagem que Exu carrega?”, “É possível inserir Exu nas práticas pedagógicas?”, movidos por tais perguntas providenciamos Exu como sinônimo de ensino-aprendizagem. Tal pesquisa se mostra fundamental, embasada na lei 10.639/2003. Trataremos assim da diversidade nas escolas, caminhando na luta antirracista.

Palavras-chave: Cultura. Educação. Questões étnico-raciais.

 

Abstract

The present work aims, through philosophical, anthropological and educational reflections, to project Exu as a synonym for teaching-learning. Contributing to the dialogue between anthropology and education to complement the theoretical studies of ethnic-racial relations with schools throughout Brazil. It is an anthropoeducational research instigated by curiosity about Exu's performance in Brazilian society; and mainly how we can extract knowledge from this emblematic figure to bring to schools in order to promote the fight against racism. “Who is Exu?”, “What image does Exu carry?”, “Is it possible to insert Exu in pedagogical practices?”, Moved by such questions, we provide Exu as a synonym for teaching-learning. Such research proves to be fundamental, based on Law 10.639 / 2003. Thus, we will deal with diversity in schools, walking in the anti-racist struggle.

Keywords: Culture. Education. Ethnic-racial issues.




Palavras-chave


Cultura; Educação; Questões étnico-raciais.

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, Nilda; OLIVEIRA, Inês Barbosa de. Ensinar e aprender/”aprenderensinar”: o lugar da teoria e da prática em currículo. In: LIBÂNEO, José Carlos; ALVES, Nilda (Org.). Temas de pedagogia: diálogos entre didática e currículo. São Paulo: Cortez Editora, 2012. p. 61-73.

AREDA, Felipe. Exu e a reescrita do mundo. Revista África e Africanidades – Ano I, n. 1, mai. 2008. 18 p. Disponível em: . Acesso em: 09 jul. 2018.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: jun. 2018.

CAPUTO, Stela Guedes. Educação nos terreiros e como a escola se relaciona com crianças de candomblé. Rio de Janeiro: Pallas, 2012.

HAMPATÉ BÂ, Amadou. A tradição viva. In: KI-ZERBO, Joseph (Ed.). História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. 2.ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010, p. 167- 212.

MACHADO, Adilbênia Freire. Filosofia africana para descolonizar olhares:Perspectivas para o ensino das relações étnico-raciais. Revista de Educação Ciência e Tecnologia, Canoas, v. 3, n. 1, 2014. 20 p. Disponível em: . Acesso em: 27/07/2018.

MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Tradução de Maria D. Alexandre e Maria Alice Araripe de Sampaio Doria. 16ª Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014.

MUNANGA Kabengele. Algumas considerações sobre “raça”, ação afirmativa e identidade negra no Brasil: fundamentos antropológicos. São Paulo: Revista USP, n.68, p. 46-57, dez./fev. 2006.

NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Perspectivas, 2016.

NOGUERA, Renato. O ensino de filosofia e a lei 10.639. Rio de Janeiro: Pallas; Biblioteca Nacional, 2014.

NOGUERA, Renato. Denegrindo a educação: Um ensaio filosófico para uma pedagogia da pluriversalidade. Revista Sul-Americana de Filosofia e Educação. n. 18, p. 62-73, mai./out. 2012. Disponível em: . Acesso em: jun. 2018.

PETIT, Sandra Haydée. Pretagogia: Pertencimento, corpo-dança afroancestral e tradição oral, contribuições do legado africano para a implementação da lei nº 10.639/03. Fortaleza: EdUECE, 2015.

PRANDI, Reginaldo. Exu, de mensageiro a diabo: sincretismo católico e demonização do orixá Exu. Revista USP, São Paulo, nº 50, pp. 46-65, 2001.

ROCHA, Everardo. Jogo de Espelhos: ensaios de cultura brasileira. Rio de Janeiro: Mauad, 1996.

RUFINO, Luiz. Exu e a Pedagogia das Encruzilhadas: sobre conhecimentos, educações e pós-colonialismo. VIII Seminário Internacional As Redes Educativas e as Tecnologias: Movimentos Sociais e Educação, Junho/2015. Disponível em: . Acesso em: 09/07/2018.

SANTOS, Ivanir. História da Intolerância e vestígios históricos para a reconstrução de uma memória coletiva das religiões de matrizes africanas. Revista Jesus Histórico. X, 19. 2017.

SODRÉ, Muniz. O terreiro e a cidade. Petrópolis: Vozes, 1988.

Recebido em: 27 de set. 2019.

Aprovado em: 20 de abr. 2020

Forma de citar este texto (ABNT):

Santos Junior, Marcos Borges dos; CORRE, Marco Aurélio da Conceição. Exu é sinônimo de ensino-aprendizagem: uma análise antropoeducacional. Revista Café com Sociologia, Maceió, v.9, n. 1, p. 155-173, jan./jul. 2020.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2020 Revista Café com Sociologia

Revista Café com Sociologia é uma publicação semestral, voltada para o debate sobre temas relevantes das Ciências Sociais (Sociologia, Antropologia e Ciência Política) e da docência dessas ciências.

ISSN: 2317-0352

 

Na avaliação QUALIS para o quadriênio 2013-2016 a Revista Café com Sociologia foi assim avaliada:

LETRAS / LINGUÍSTICA =B2

ENSINO = B3

SERVIÇO SOCIAL =B3

INTERDISCIPLINAR = B4

PSICOLOGIA = B4

SOCIOLOGIA = B5

HISTÓRIA = B5

ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA = B5

COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO = B5

HISTÓRIA = B5


INDEXADORES


 



POLÍTICA DE AVALIAÇÃO DOS ARTIGOS

Os artigos recebidos passam por quatro etapas:

1ª Etapa:uma primeira avaliação realizada por integrantes do conselho editorial. Nesse momento são observados: i) se não há no texto indicação de autoria, a fim de garantir um processo de avaliação às cegas; ii) se o texto enquadra-se no foco da revista; iii) se o texto apresenta clareza quanto ao problema de pesquisa, o objeto, o método e os resultados alcançados e; iv) se atende as diretrizes de formatação do texto (ver diretrizes para autores). Os textos que não atenderem a um desses aspectos será arquivado e não enviado aos pareceristas, que é etapa seguinte. 

2ª Etapa: os textos são enviados a dois pareceristas que avaliarão às cegas a pertinência, a originalidade, a clareza e a qualidade do trabalho e da redação. Ao fim dessa avaliação emitirão um parecer, podendo ser “aprovado”, “favorável à aprovação com recomendações de ajustes”, “enviar para uma segunda rodada” e “reprovar”. A análise de mérito é realizada por dois pareceristasad hoc. Em caso de discordância entre os dois pareceres, solicita-se uma terceira avaliação. Os textos para serem aprovados precisam de duas posições favoráveis à publicação, ainda que com indicações de ajustes. Os textos que forem recomendados “enviar para uma segunda rodada” serão encaminhados aos autores para ajustes e retornará para os mesmos avaliadores para obter um parecer decisivo.

3ª Etapa:Os textos aprovados serão reenviados aos autores para ajustes necessários e/ou desejáveis e, posteriormente, em prazo estipulado pela comissão editorial, reenviados para serem examinados pelos editores que observará se os ajustes, aos que foram solicitados, foram devidamente realidados. 

4ª Etapa:Os textos finalizados são encaminhados para a diagramação e posterior publicação.

OBS: O processo é organizado de modo a presevar a identidade da autoria e da avaliação.