O lugar da antropologia na formação de educadores

Autores

  • Rodrigo Rosistolato UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
  • Ana Pires do Prado UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

Palavras-chave:

ensino de antropologia, formação de educadores, escrita antropológica

Resumo

O trabalho tem o objetivo de descrever e analisar o ensino de antropologia em três espaços de atuação profissional dos autores. O primeiro deles é o curso de licenciatura em pedagogia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O segundo, a pós-graduação em Educação, da mesma Universidade. Além desses, um curso de extensão para a formação de gestores de escolas do Rio de Janeiro. Apresentaremos as estratégias estabelecidas para cada espaço de ensino e os resultados produzidos. Indicamos, de início, que o ensino de antropologia para educadores depende da desconstrução de visões pessoais e pedagógicas relacionadas à escola. Os estudantes tendem a generalizar suas experiências individuais na escola quando desejam falar da escola. As ciências sociais tendem a desfragmentar conhecimentos anteriormente acumulados, o que leva os estudantes a indagarem sobre a presença de disciplinas como Antropologia e Sociologia na graduação. Suas dúvidas são orientadas por uma concepção de curso que percebe a educação como algo que se faz em oposição a algo que se pensa. Por outro lado, na pós-graduação, os alunos tendem a ver a antropologia como uma ferramenta. Essa tensão imaginada entre prática educacional e pesquisa científica também emerge nos debates do curso de extensão oferecido a profissionais já graduados e responsáveis pela gestão de escolas. Ela será a chave interpretativa utilizada nesse trabalho como tentativa inicial de compreender o lugar da antropologia na formação de educadores.

Biografia do Autor

Rodrigo Rosistolato, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

antropólogo especializado em temas educacionais. Doutor em Ciências Humanas (antropologia), professor do Programa de Pós-Graduação em Educação-PPGE e do Departamento de Fundamentos da Educação, da Faculdade de Educação da UFRJ. Seus trabalhos focalizam as relações existentes entre a educação escolar e outras esferas da vida social. Atualmente, desenvolve pesquisas sobre estratégias familiares e projetos de escolarização nas classes populares das cidades do Rio de Janeiro e Petrópolis. Integra as equipes do LaPOpE ? Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais (http://www.lapope.fe.ufrj.br/) e do Observatório Educação e Cidade (http://www.observatorio.fe.ufrj.br/). Coordena e participa de projetos de pesquisa financiados pela FAPERJ - Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, pela CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.

Ana Pires do Prado, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

Doutora em Antropologia Social e Cultural pela Universidad Autonoma de Barcelona (2006), onde também obteve o mestrado (2003). Graduada e licenciada em Historia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1997). Entre 2008 e 2010 realizou o pós doutorado no IFCS/UFRJ na área de Antropologia. Desde 2011 é professora adjunta da Faculdade de Educação da UFRJ. Tem experiência em Antropologia, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: políticas públicas em educação e desigualdades educacionais.

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Publicado

2015-07-18