Ensino de Sociologia no Brasil: o pioneirismo do Colégio Pedro II (1925-1942)

Jefferson da Costa Soares

Resumo


Este artigo foi elaborado a partir de um estudo realizado no âmbito de um projeto de mestrado em Educação que pretendeu investigar a construção social do currículo de Sociologia entre 1925 e 1942, período considerado de institucionalização da disciplina no Brasil e marcado pelas Reformas Rocha Vaz de 1925, que introduziu a disciplina nos currículos do 6º ano do ensino secundário, Francisco Campos de 1931, que reforçou o lugar e a importância da sociologia nos currículos e Gustavo Capanema de 1942, que retirou a obrigatoriedade da disciplina dos currículos do ensino secundário. O recorte institucional é o Colégio Pedro II, primeira instituição brasileira de ensino secundário, considerada padrão na época e pioneira a introduzir o ensino da disciplina em sua grade curricular. O principal referencial teórico adotado foi a tradição inglesa da História do Currículo e das Disciplinas Escolaresreferenciada na obra de Ivor Goodson. A metodologia utilizada foi a análise documental de fontes do período estudado, encontradas no Núcleo de Documentação e Memória do Colégio Pedro II "“ NUDOM e no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil "“ CPDOC/FGV. Analisamos também, os textos das reformas educacionais da época, programas e manuais didáticos elaborados por Delgado de Carvalho, primeiro catedrático efetivo da disciplina. Com base na documentação supracitada, foi possível identificar os professores de Sociologia; analisar as propostas iniciais para o ensino da disciplina no Brasil; observar aspectos da construção do currículo desta disciplina no Colégio Pedro II, relacionando-a com os contextos interno e externo; e caracterizar a proposta para o ensino de Sociologia no Colégio Pedro II.



Palavras-chave


Currículo. Ensino de Sociologia. Colégio Pedro II

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