Pokémon GO: Um reflexo dos usos e contradições da Internet brasileira

Laysmara Carneiro Edoardo

Resumo


Diferentemente de outros aplicativos de interação mediada, o jogo Pokémon GO, lançado no Brasil em agosto de 2016, tem promovido a circulação e a interação dos jogadores pela "“ e com "“ a cidade, o que demonstra por sua vez diferenças reveladoras quando tomadas, por exemplo, as condições de conexão com a Internet e a posição geográfica do usuário, de modo que essa contingência resulta em avanços coletivos diferentes de acordo com a relação entre a infraestrutura técnica da Internet brasileira e o georreferenciamento produzido internamente pelo próprio jogo. Para discutir tais fatos e compreender a forma pela qual o jogo explicita as disparidades no acesso à Internet no Brasil, além da observação participante, um questionário com 50 questões foi respondido por 1.000 jogadores até os primeiros 20 dias após o lançamento do jogo. As questões foram distribuídas em quatro seções: identificação, mapeamento, questões técnicas e comportamentos, fornecendo chaves para a produção de categorias que permitiram a análise das desigualdades regionais, do trânsito em diferentes espaços da cidade, das condições técnicas de dispositivos e conexão, bem como das apropriações geracionais.

Palavras-chave


Internet; Cidade; Interação tecnologicamente mediada

Texto completo:

PDF

Referências


BRASIL. Presidência da República. Secretaria de Comunicação Social. Pesquisa brasileira de mídia 2014: hábitos de consumo de mídia pela população brasileira. Brasília: Secom, 2015.

___________. IBGE, Síntese de Indicadores Sociais, Uma análise das condições de vida da população brasileira 2014. Estudos e Pesquisas Informação Demográfica e Socioeconômica número 34. IBGE, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Rio de Janeiro, 2014.

___________. IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007/2013.

___________. IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal: 2013. IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. Rio de Janeiro, 2015b.

___________. IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Síntese de Indicadores 2014. IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. Rio de Janeiro, 2015a.

___________. IBGE. Censo Demográfico 2010.

___________. IBGE. Domicílios particulares permanentes, por existência de energia elétrica, segundo as Grandes Regiões e as Unidades da Federação "“ 2010b. Disponível em ( http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=P13). Acesso em fevereiro/2016.

CGI. TIC Domicílios e usuários 2014 NIC.br - out 2014 / mar 2015. Comitê Gestor da Internet no Brasil. Disponível em (http://cetic.br/tics/usuarios/2014/total-brasil/A12/) . Acesso em agosto/2016

___________. TIC Provedores 2014 NIC.br - set 2013 / out 2014. Comitê Gestor da Internet no Brasil. Disponível em (http://www.cetic.br/tics/provedores/2014/geral/B1/) . Acesso em agosto/2016.

ARRETCHE, Marta (org.). Trajetórias das desigualdades: Como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos. São Paulo: Unesp/CEM, 2015.

BOWKER, G.; BAKER, K.; MILLERAND, F; RIBES, D. Towards information infrastructure studies: Ways of knowing in a networked environment. In HUNSINGER, J. et al. International Handbook of Internet Reseach, New York: Springer, 2010, pp-97-118.

CANEVACCI, Massimo. Culturas eXtremas "“ Mutações juvenis nos corpos das metrópoles, Rio de Janeiro: DP&A, 2005.

CASTELLS, Manuel. A galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

GOOGLE Earth e Google Street View. Disponível em (http://www.gosur.com/satellite/). Acesso em setembro/2016.

___________. Checking Device Compatibility with SafetyNet. Disponível em https://developer.android.com/training/safetynet/index.html . Acesso em setembro/2016.

HARGITTAI, Eszter; HSIEH, Yuli Patrick. Digital Inequality. In: DUTTON, William H. (ed.). The Oxford Handbook of Internet Studies. New York: Oxford University Press, 2013, pp. 129-150.

Ipsos: LII Estudos Marplan/EGM. 2015. Disponível em (https://dados.media/). Acesso em julho/2015.

ITU (INTERNATIONAL TELECOMMUNICATION UNION). Measuring the Information Society Report. Geneva Switzerland, 2015.

ITU; UNESCO. The State of Broadband 2015. Broadband as a foundation for sustainable development. Switzerland, Geneva, September 2015. Disponível em (http://www.broadbandcommission.org/Documents/reports/bb-annualreport2015.pdf) . Acesso em fevereiro/2016.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos. São Paulo: Editora 34, 2013.

LE BRETON, David. Adeus ao corpo: Antropologia e sociedade. Campinas: Papirus , 2003.

MAPA POKÉMONGO. Disponível em (https://www.mapapokemongo.com/). Acesso em setembro/2016.

MANSDELL, Robin; STEINMUELLER, Edward. Digital infrastrucutures, economies, and public policies: contending rationales and outcomes assessment strategies. In: DUTTON, William H. (ed.). The Oxford Handbook of Internet Studies. New York: Oxford University Press, 2013, pp.509-530.

PÓVOA, Marcello. Anatomia da internet "“ Investigações estratégicas sobre o universo digital. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2000.

PRENSKY, Mark. Digital natives, digital immigrants. On the Horizon, NCB University Press, Vol. 9 No. 5, October 2001. Disponível em (https://edorigami.wikispaces.com/file/view/PRENSKY+-+DIGITAL+NATIVES+AND+IMMIGRANTS+1.PDF ). Acesso em fevereiro/2016.

SLICE INTELLIGENCE. Disponível em( https://intelligence.slice.com/pokemon-gos-paying-population-dropped-79-percent-still-profitable-mobile-game/) . Acesso em setembro/2016.

SENSOR TOWER, Pokémon Go. Disponivel em https://sensortower.com/ios/br/niantic-inc/app/pokemon-go/1094591345/ Acesso em setembro/2016.

TELEBRASIL (Associação Brasileira de Telecomunicações). O Desempenho do Setor de Telecomunicações no Brasil Séries Temporais 9M15. Telebrasil; Teleco, 2015.

TELECO. Desempenho do Setor de Telecomunicações no Brasil "“ Séries Temporais, preparado pelo Teleco para a Telebrasil (Associação Brasileira de Telecomunicações). Disponível em (http://www.teleco.com.br/estatis.asp) . Acesso em agosto/2016.

___________. Municípios cobertos pela tecnologia 3G no Brasil - Jan/16 . Teleco. Disponível em http://www.teleco.com.br/3g_cobertura.asp . Acesso em fevereiro/2016.

___________. Municípios cobertos pela tecnologia 4G no Brasil - Jan/16 . Teleco. Disponível em http://www.teleco.com.br/4g_cobertura.asp . Acesso em fevereiro/2016.

TURKLE, Sherry. O Segundo Eu "“ Os computadores e o espírito humano, Lisboa: Editorial Presença, 1989.

UNESCO. Many voices, one world. Report of the International Commission for the Study of Communication Problems, Paris: UNESCO, 1980.

UNWIN, Tim. The Internet and development: a critical perspective. In: DUTTON, William H. (ed.). The Oxford Handbook of Internet Studies. New York: Oxford University Press, 2013, pp.531-554.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Revista Café com Sociologia é uma publicação semestral, voltada para o debate sobre temas relevantes das Ciências Sociais (Sociologia, Antropologia e Ciência Política) e da docência dessas ciências.

ISSN: 2317-0352

INDEXADORES:

Google Acadêmico

Academia.edu

ANPOCS

DIADORIM

REDIB

Latindex

 

Na avaliação QUALIS para o quadriênio 2013-2016 a Revista Café com Sociologia foi assim avaliada:

LETRAS / LINGUÍSTICA =B2

ENSINO = B3

SERVIÇO SOCIAL =B3

INTERDISCIPLINAR = B4

PSICOLOGIA = B4

SOCIOLOGIA = B5

HISTÓRIA = B5

ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA = B5

COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO = B5

HISTÓRIA = B5




POLÍTICA DE AVALIAÇÃO DOS ARTIGOS

Os artigos recebidos passam por quatro etapas:

1ª Etapa:uma primeira avaliação realizada por integrantes do conselho editorial. Nesse momento são observados: i) se não há no texto indicação de autoria, a fim de garantir um processo de avaliação às cegas; ii) se o texto enquadra-se no foco da revista; iii) se o texto apresenta clareza quanto ao problema de pesquisa, o objeto, o método e os resultados alcançados e; iv) se atende as diretrizes de formatação do texto (ver diretrizes para autores). Os textos que não atenderem a um desses aspectos será arquivado e não enviado aos pareceristas, que é etapa seguinte. 

2ª Etapa: os textos são enviados a dois pareceristas que avaliarão às cegas a pertinência, a originalidade, a clareza e a qualidade do trabalho e da redação. Ao fim dessa avaliação emitirão um parecer, podendo ser “aprovado”, “favorável à aprovação com recomendações de ajustes”, “enviar para uma segunda rodada” e “reprovar”. A análise de mérito é realizada por dois pareceristasad hoc. Em caso de discordância entre os dois pareceres, solicita-se uma terceira avaliação. Os textos para serem aprovados precisam de duas posições favoráveis à publicação, ainda que com indicações de ajustes. Os textos que forem recomendados “enviar para uma segunda rodada” serão encaminhados aos autores para ajustes e retornará para os mesmos avaliadores para obter um parecer decisivo.

3ª Etapa:Os textos aprovados serão reenviados aos autores para ajustes necessários e/ou desejáveis e, posteriormente, em prazo estipulado pela comissão editorial, reenviados para serem examinados pelos editores que observará se os ajustes, aos que foram solicitados, foram devidamente realidados. 

4ª Etapa:Os textos finalizados são encaminhados para a diagramação e posterior publicação.

OBS: O processo é organizado de modo a presevar a identidade da autoria e da avaliação.