TRAJETÓRIA HISTÓRICA PARA O SURGIMENTO DE UM PARTIDO DE MASSAS NO BRASIL: as regras institucionais que moldaram os movimentos

Luan Orlando Lima Azevedo, Jéssica Leme Santos

Resumo


O artigo propõe esboçar uma trajetória histórica dos movimentos e organizações de classes trabalhadoras e operárias que buscavam representação política no Brasil entre os séculos XIX e XX. Em um segundo momento, serão contrapostos, alguns pontos sobre a construção dos movimentos que foram tratados por historiadores e sociólogos ao longo da história política brasileira, reunindo trabalhos de intelectuais sobre os diversos tipos de movimentos, abordando desde as origens até os obstáculos encontrados para a não concretização de um partido político formado pela massa da população. Para tanto, partimos da seguinte hipótese: Quais são os limites impostos que fazem com que um partido de massa não consiga se estabelecer no século XIX e meados do séc. XX no Brasil? Os principais indícios encontrados, considerados como resposta a tal questionamento, inserem-se justamente nas oscilações políticas e na força inquestionável de organismos oligárquicos que confrontavam e oprimiam insistentemente as organizações populares. Por último, de forma ampla, serão destacadas considerações sobre o percurso histórico desde os movimentos mutualistas, até o Partido dos Trabalhadores (PT), destacando seus efeitos e limitações. 

 

This article aims to outline a historical trajectory on the movements and organizations of work and working classes which sought for political representation in Brazil between the nineteenth and twentieth centuries. Then some points about the construction of movements that were treated by historians and sociologists throughout Brazilian political history will be contrasted, bringing together works of intellectuals about the different types of movements, ranging from the origins to the obstacles encountered for the non-implementation of a political party formed by the mass of the population. To do so, we start with the following hypothesis: What are the imposed limits that make a mass party unable to establish itself in the nineteenth and mid-twentieth centuries in Brazil? The main clues found to be a response to this question are precisely the political oscillations and the unquestionable strength of oligarchic organisms that confronted and overwhelmingly oppressed popular organizations. Lastly, in a broad sense, we highlight some considerations on the historical path from the mutualist movements to the Workers' Party (PT), highlighting their effects and limitations.


Palavras-chave


Palavras-chave: Partidos políticos. Brasil. Movimentos de massas. História.

Texto completo:

PDF

Referências


AMARAL, O. E. A estrela não é mais vermelha: as mudanças do programa petista nos anos 90. São Paulo: Garçoni, 2003.

______. Ainda conectado: O PT e seus vínculos com a sociedade. Opin. Pública, vol.17, Nº1 Campinas. Junho de 2011.

BASILE, Marcello. Perspectiva da Cidadania no Brasil Império. Editora Civilização Brasileira. Org. José Murilo de Carvalho e Adriana Campos. Rio de Janeiro (2011).

BATALHA, Cláudio. O movimento operário na Primeira República. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

BODEA, Miguel. A greve de 1917: as origens do trabalhismo gaúcho. Porto Alegre: L&PM, 1979.

BOURDIEU, Pierre. A ilusão biográfica. In: FERREIRA, Marieta de Morais; AMADO, Janaina. Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro: Editora da FGV, 1998. p. 183-191.

BRESSER PEREIRA, LUIZ CARLOS. A Construção Política do Brasil. 2. ed. São Paulo: Editora 34 Ltda., 2014.

CARVALHO, J. M. A Construção da Ordem/Teatro de Sombras. 2. ed. Rio De Janeiro: Relume Dumara, 1996. v. 1. 435p.

_____. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

CHACON, Vamireh. História dos Partidos Políticos Brasileiros. 2ª ed. (1981). Editora Universidade de Brasília.

DA MATTA, Roberto. A Família como Valor: Considerações não-familiares sobre a família à brasileira. 1978. IN: ALMEIDA, Ângela Mendes de. Pensamento a família no Brasil. RJ, Espaço e Tempo. Ed. UFRRJ, pp. 115-136.

DANNEMANN, Fernando Kitzinger. 1917: greves operárias. São Paulo. 2013. Disponível em: http://www.efecade.com.br/1917grevesoperarias

DUVERGER, Maurice. Os Partidos Políticos. Coleção: Pensamento Político; 13. Editora: UNB Universidade de Brasília. Ano: 1980.

FAGUNDES, Pedro Ernesto. Movimento Tenentista: um debate historiográfico. Revista Espaço Acadêmico, n° 108, Maio, 2010. Disponível em : http://ojs.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/9223/5604

FERNANDES, Florestan. A Revolução burguesa. Zahar Editores, 1975.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande e senzala. Lisboa, Livros do Brasil, 1957.

GRAHAM, Richard. Clientelismo e política no Brasil do século XIX. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997

KUHN, Thomas S. A Estrutura das Revoluções Científicas. 7 ed. São Paulo: Perspectiva, 2003. 262 p.

LOPREATO, Christina da Silva Roquette. O espírito da revolta (a greve geral anarquista de 1917) / Campinas, SP: [s.n.], 1996. Disponível em: http://migre.me/w39BL.

MARTINS, Maria Fernanda Vieira. A Velha Arte de Governar: O Conselho de Estado no Brasil Imperial. Revista: TOPOI, v. 7, n. 12, jan.-jun. 2006, pp. 178-221.

MENEGUELLO, Raquel. PT: 30 anos de história. Entrevista especial com Rachel Meneguello. Disponível em: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=45255 Acesso em: 05 de fevereiro de 2017

NEVES, Lúcia Maria Bastos P. Corcundas e Constitucionais: A Cultura Política da Independência (1820-1822). Rio de Janeiro: Editora Revan, 2003. FAPERJ, 480 pp.

OLIVEIRA, R. C.. Na Teia do Nepotismo. Sociologia Política das Relações de Parentesco e Poder Político no Brasil. 1. ed. Curitiba: Insight, 2012. 272p .

PANDOLFI, Dulce Chaves. GRYNSZPAN, Mário. Da Revolução de 30 ao Golpe de 37: A depuração das elites. Revista de sociologia e política n° 9 1997.

PRADO JÚNIOR, Caio. (SD). Evolução Política do Brasil: Colônia e Império. São Paulo: Brasiliense/Companhia das Letras.

______. Evolução Política do Brasil: colônia e império. São Paulo: Brasiliense, 2006.

REIS, Daniel Aarão. O Partido dos Trabalhadores – trajetória, metamorfoses, perspectivas. 2007. Disponível em: http://www.historia.uff.br/culturaspoliticas/files/daniel4.pdf Acesso em: 10 de fevereiro de 2017.

SANTA ROSA, Virgilio. O sentido do Tenentismo. 3º ed. São Paulo: Alfa-Ômega, 1976.

SILVA, Luiz G. Gênese da Milícias de Pardos e Pretos na América Portuguesa: Pernambuco e Minas Gerais, Séculos XVII e XVIII. Revista de História de São Paulo, Nº169, p. 111-144, julho/dezembro 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rh/n169/0034-8309-rh-169-00111.pdf . Acesso em: 19 de Dezembro de 2016.

TOLEDO, Caio Navarro. 1964: O golpe contra as reformas e a democracia. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 24, nº 47, p.13-28 - 2004

URICOECHEA, Fernando. (1976). O Minotauro Imperial: a burocratização do Estado Patrimonial Brasileiro no Século XIX. São Paulo: Difel.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Revista Café com Sociologia é uma publicação semestral, voltada para o debate sobre temas relevantes das Ciências Sociais (Sociologia, Antropologia e Ciência Política) e da docência dessas ciências.

ISSN: 2317-0352

INDEXADORES:

Google Acadêmico

Academia.edu

ANPOCS

DIADORIM

REDIB

Latindex

 

Na avaliação QUALIS para o quadriênio 2013-2016 a Revista Café com Sociologia foi assim avaliada:

LETRAS / LINGUÍSTICA =B2

ENSINO = B3

SERVIÇO SOCIAL =B3

INTERDISCIPLINAR = B4

PSICOLOGIA = B4

SOCIOLOGIA = B5

HISTÓRIA = B5

ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA = B5

COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO = B5

HISTÓRIA = B5




POLÍTICA DE AVALIAÇÃO DOS ARTIGOS

Os artigos recebidos passam por quatro etapas:

1ª Etapa:uma primeira avaliação realizada por integrantes do conselho editorial. Nesse momento são observados: i) se não há no texto indicação de autoria, a fim de garantir um processo de avaliação às cegas; ii) se o texto enquadra-se no foco da revista; iii) se o texto apresenta clareza quanto ao problema de pesquisa, o objeto, o método e os resultados alcançados e; iv) se atende as diretrizes de formatação do texto (ver diretrizes para autores). Os textos que não atenderem a um desses aspectos será arquivado e não enviado aos pareceristas, que é etapa seguinte. 

2ª Etapa: os textos são enviados a dois pareceristas que avaliarão às cegas a pertinência, a originalidade, a clareza e a qualidade do trabalho e da redação. Ao fim dessa avaliação emitirão um parecer, podendo ser “aprovado”, “favorável à aprovação com recomendações de ajustes”, “enviar para uma segunda rodada” e “reprovar”. A análise de mérito é realizada por dois pareceristasad hoc. Em caso de discordância entre os dois pareceres, solicita-se uma terceira avaliação. Os textos para serem aprovados precisam de duas posições favoráveis à publicação, ainda que com indicações de ajustes. Os textos que forem recomendados “enviar para uma segunda rodada” serão encaminhados aos autores para ajustes e retornará para os mesmos avaliadores para obter um parecer decisivo.

3ª Etapa:Os textos aprovados serão reenviados aos autores para ajustes necessários e/ou desejáveis e, posteriormente, em prazo estipulado pela comissão editorial, reenviados para serem examinados pelos editores que observará se os ajustes, aos que foram solicitados, foram devidamente realidados. 

4ª Etapa:Os textos finalizados são encaminhados para a diagramação e posterior publicação.

OBS: O processo é organizado de modo a presevar a identidade da autoria e da avaliação.